Autoridade só em caso de definição infalível?

“(…) Ocupemo-nos agora com as questões que necessitam de uma consideração mais aprofundada. Um primeiro problema que passa cada vez mais a ocupar o primeiro plano do diálogo pode ser visto na afirmação do Grupo de Trabalho, que aceita “todas aquelas declarações do magistério que se dão sob a prerrogativa da infalibilidade, dada à Igreja como um presente de Cristo”. Em todos os demais julgamentos a decisão dependeria da força dos argumentos. De início isto deixa a impressão de ser muito plausível, mas a um exame mais apurado revela-se como bastante questionável. Pois significa, na prática, que só pode haver decisões magisteriais quando a Igreja puder apelar para a infalibilidade; fora desse terreno, a única coisa que conta seria o argumento, portanto uma certeza comum da Igreja tornar-se-ia impossível. Parece que nos deparamos aqui com uma restrição e um juridicismo tipicamente ocidental, capazes de radicalizar desenvolvimentos unilaterais que se configuram desde a Alta Idade Média. Um paralelo pode esclarecer o problema. Lá pelo século 13 começa a sobrepor-se a tudo a questão do que é necessário para a validade dos sacramentos. Visivelmente, o que passa a contar agora é exclusivamente a alternativa válido ou inválido. O que não afeta a validade aparece, em última análise, como não tendo grande importância, e como podendo ser substituído. Continuar lendo

Papa Leão XIII dá o tiro de misericórdia nos tradôs independentes sem Roma nem FSSPX

 

Prezados amigos e caros leitores
A Igreja Católica ensina a infalibilidade dos Concílios como sendo a infalibilidade de todo o colégio dos sucessores dos Apóstolos, encabeçados pelo Papa. Querer colocar a validade das decisões de um Concílio numa suposta conformidade com a Bíblia ou com a Tradição é justamente eliminar o Magistério como regra próxima da Fé. Um Magistério torna-se completamente supérfluo, e não há necessidade alguma de Concílios. Isso é o protestantismo. Aliás, tal concepção cairia como uma luva para os protestantes históricos, quando admitem a validade dos cinco primeiros concílios ecumênicos.
Os tradôs independentes – sendo eles leigos desligados da FSSPX e membros de comunidades amigas – criaram uma tese imaginária de que leigos “da Tradição” tem autoridade para confiscar cada palavra da boca do Romano Pontífice para ver se encontram erros de doutrina. Esta tese não é católica. Ela é incompatível com as definições da Igreja. Além disso, inconsistente, porque seria o mesmo que negar a infalibilidade da Igreja. E, ou a Igreja é a autoridade de Cristo na Terra ou perde completamente a sua função e necessidade. Tal tese é totalmente protestantizante.
A infalibilidade não é um “absolutismo” do Papa, é um ministério, um carisma. Dizer que o Papa pode definir algo contra a Bíblia e a Tradição é tão nonsense quanto dizer que Deus não pode criar uma pedra que não possa carregar. E é exatamente a postura fixa deles e mecânica deles, que resumem a fé católica em um eterno debate sobre Vaticano II e Novus Ordo. O Papa Leão XIII, de veneranda memória, já orientava sobre esse tipo de comportamento na carta ao Cardeal Guibert:

O perfil sério de um sedevacantista

A busca pelos sacramentos faz o homem passar por um reconhecimento das próprias fraquezas e o cultivo da fortaleza. No mundo de hoje, é impossível escapar a todas as situações de pecado, pois elas estão em toda parte. Não podemos tapar os olhos e os ouvidos a tudo, por conta da própria dinâmica das relações sociais e da complexidade da vida moderna. Claro, ninguém irá se meter conscientemente numa situação de extremo perigo de pecar, pois seria tentar a Deus, mas há que se distinguir as ocasiões extremas e aquelas em que podemos resistir com nossas próprias forças.

A teologia diz que o homem tem certa capacidade natural de fazer o bem e evitar o mal, logo, as tentações. Mas não pode observar a lei natural durante um longo tempo e evitar todas as tentações graves, sem o auxílio da graça medicinal, chamada assim por atender a uma debilidade da natureza.

Assim sendo, como alguém da Religião Sedevacantista que não tem Missa, sacramentos, direção espiritual, graça sanante, devoção e oração pode estar em estado de graça e conseguir a salvação?

Houve um tempo sim, em que Adão e Eva estavam no jardim, e não tinham pecado. Depois da tentação da serpente, que eles pecaram.

O decreto da Encarnação (no qual se inclui virtualmente Maria Santíssima) é posterior (na ordem lógica e não temporal) ao decreto de permissão do pecado original, na interpretação tomista. Já os escotistas ensinam que Deus quis, antes de todas as coisas, a Encarnação de Seu Filho. Eu defendo a interpretação tomista, pois a Encarnação de forma alguma é um bem necessário; é contingente, e necessário, apenas em razão do pecado original.

Na mente de Deus, não há sucessão temporal. Deus quer tudo no Ato simples em que conhece a Si mesmo. Agora, na consideração pura do objeto, pode-se haver dependência lógica de um em relação ao outro. A escolha de Maria é dependente da Encarnação, e esta, por sua vez , é dependente de ter havido o pecado original (na interpretação tomista).

Tudo foi criado para o Verbo, mas a humanidade de Cristo só existe por causa do pecado. Não podemos confundir a Pessoa de Cristo com a humanidade de Cristo, que foi criada.
O fato de não ter pecado em si não dá o direito a criatura de participar da vida divina, mas o homem não foi criado apenas como um ser sem pecado (em estado natural), mas em estado sobrenatural, pela graça, sem merecimento algum, e nada indica que isso precisava ter lhe sido outorgado mediante um merecimento de alguém.

“O felix culpa!” Parece que o precônio pascal seja de autoria de Santo Ambrósio, mas a ideia é bem augustiniana! Se não houvesse o pecado, não haveria, talvez, o Verbo Encarnado, e muito menos a Virgem Maria! “Pecado feliz de Adão!”

Santo Tomás ensina que o diabo pecou ao recusar a graça para atingir seu fim sobrenatural, ou recusar seu próprio fim sobrenatural, apetecendo, como fim último de sua bem-aventurança, as coisas que podia alcançar só com sua natureza (S. Th., Ia, q.63, a.3, co.).

A teologia ensina que é moralmente impossível ao homem, em estado de natureza decaída, observar durante largo tempo a lei natural e evitar todas as tentações graves, sem o auxílio de uma graça atual sanante.

Com somente as forças naturais, o homem pode fazer o bem e evitar o pecado, mas não pode fazer isso durante largo tempo.

Ainda que seja possível a alguém observar toda lei natural com o auxílio da graça atual sanante, sabemos que a graça atual não é a mesma graça da justificação (habitual), especialmente tratando-se da graça sanante, que se distingue da graça elevante, que eleva as potências humanas a realizar o compete à ordem sobrenatural.

A graça sanante apenas sana uma deficiência da natureza.

Assim, pode-se perguntar se, extraordinariamente, um sedevacantista negativo poderia, com o auxílio da graça sanante, morrer sem pecados mortais, e ir para o limbo. Bem, considerando que a Providência divina cuida para que todos os homens tenham acesso aos meios de salvação, Sto. Tomás e outros teólogos julgam que, se existir algum homem nessa situação, Deus lhe revelará o que deve crer para merecer o Paraíso por meio de inspirações interiores ou lhe enviará um pregador da fé.

É meio óbvio dizer isso, mas a infidelidade negativa não é pecado. A infidelidade positiva, por sua vez, é pecado.

Sedevacantista negativo é aquele que está nesse estado por pura ignorância. (situação quase impossível)

Sedevacantista positivo é aquele que se distingue do negativo por não estar em ignorância, pelo menos, não invencível.

É sentença de fé que as penas do Inferno são proporcionais às culpas pessoais e que a culpa exclusivamente do pecado original é punida apenas com a pena de dano (comportando uma felicidade natural). É nisso que resume o dogma de fé.

O sedevacantista cortou os vínculos com a realidade, a nossa realidade normativa, logo as suas percepções mentais podem ser terríveis ou não, de acordo com o tipo dp grau da adesão às crenças fantasiosas. E a realidade cobra seu preço e o sedevacantista tem dificuldades de atender certas exigências.

O sedevacantismo é tão nocivo que altera a personalidade total que afeta a zona central do eu e altera toda estrutura vivencial. O ativista em questão representa o estereotipo do “especial” (Exército de Macabeus, Calcanhar da Virgem etc) , e que produz grande estranheza social devido ao seu desprezo para com a realidade reconhecida. Agindo como alguém que rompeu as amarras da concordância cultural, o ele menospreza a razão e perde a liberdade de escapar às suas crenças fantasiosas.

Agora na prática mostraremos dentro dessa análise semântica e não sintática, como reage um sedevacantista preso em sua *verdade* quando confrontado com a realidade. A parte II do artigo continuará com um debate real, e que ocultaremos o nome dos debatedores para não deixar o sedevacantista em situação embaraçosa e de constrangimento pela vergonha de sua conduta. Chamaremos então o sedevacantista de “Meany Ranheta,” e o católico oponente de “Pequeno Príncipe”. Continuar lendo

Reforma da Reforma acaba com a festa sedevacantista

Prezados e estimados leitores, convido todos para uma reflexão sobre a religião sedevacantista e como ela, com menos de 40 anos de vida, caminha gradativamente para a morte no Pontificado de Bento XVI, para a glória de Deus!

Essa religião conseguia força para mostrar coerência no auge do Espírito do Concílio, vendo os escritos antigos de seus ativistas, era fácil de enganar alguns católicos pela junção de conteúdos de revelações privadas, frases desconexas de Santos e a Bula revogada de Paulo IV que eram apresentados para a defesa da crença da Sé Vacante. Sendo que, mediante a reestruturação da Igreja pela ortodoxia dos novos seminaristas e padres, formação dos leigos por apologetas como Padre Paulo Ricardo, a nomeação de bispos tradicionais, o avanço do Summorum Pontificum no mundo e a Reforma da Reforma pronta para ser promulgada, o sedevacantismo não consegue mais encontrar motivos para existir, e vemos o desespero de seus adeptos em querer exergar erro onde não existe para não ter que vergonhosamente declarar em público que sempre estiveram errados. Continuar lendo