Testemunho sobre o sacramento da penitência

O texto abaixo é um importante testemunho sobre a importância de um sacramento que muitas vezes é deixado de lado: a Reconciliação.

Todos os dias, eu visitava os pacientes católicos no hospital que está localizado atrás de minha paróquia. Havia uma mulher que eu sempre incluía na lista. Ela estava em estado de coma. Um dia, porém, percebendo que era enorme minha lista de pacientes, disse: “Preciso suprimir algumas visitas. Talvez a mulher em estado de coma. Ela não me pode ver nem falar-me, por isso vou tirá-la da lista.”

Porém, ao visitar os demais enfermos, senti-me culpado e decidi que seria melhor ir visitá-la. Assim fiz e sentei-me ao lado de sua cama.

– Sou o Padre Tim. Hoje é quinta-feira.

Permaneci sentado ali e pensei: “Isso é realmente absurdo. Ela não pode sequer responder-me, estou perdendo meu tempo. Não vou mais voltar, é melhor tirá-la da lista”.

Imediatamente veio-me um pensamento que não era meu: “Esta mulher necessita de absolvição de seus pecados”. Pensei: “É verdade. Essa mulher não pôde confessar-se e está em coma”.

Então inclinei-me para ela e lhe disse: “Qualquer pecado que você tenha cometido e que ainda não foi perdoado, apresente-o agora ao Senhor e, depois, eu rezarei o Ato de Contrição com você”. Esperei um momento e logo rezei o Ato de Contrição e dei-lhe a absolvição.

Enquanto me sentava na cadeira, a mulher imediatamente levantou-se da cama. Ela não me olhou, mas fitou os olhos no Crucifixo que estava na parede. Estendeu seus braços e, com um belo sorriso no rosto, disse: “Jesus!” Em seguida, caiu novamente na cama e morreu.

Virei-me para ver se Jesus estava ali. E realmente estava, mas não para que eu O visse. Ele tinha vindo por causa dela, ao pedir-Lhe por meio do sacramento da Penitência. E a mulher partiu com Ele em toda a glória!

Fonte: http://agnusdei.50webs.com/testm11.htm

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O sacramento da penitência é necessário à salvação?

Parece que este sacramento não é necessário à salvação.

1. — Pois, àquilo da Escritura. – Os que semeiam em lágrimas etc., diz a Glosa: Não andes triste, se tens boa vontade, com que se mede a paz. Ora, a tristeza é da essência da penitência, segundo aquilo do Apóstolo: A tris­teza que é segundo Deus produz para a salvação uma penitência estável. Logo, a boa vontade sem a penitência basta à salvação.
2. Demais. — A Escritura diz: A caridade cobre todos os delitos. E a seguir: Os pecados purificam-se pela misericórdia e pela fé. Ora, o fim deste sacramento é só purificar dos pecados. Logo, tendo caridade, fé e misericórdia, podemos alcançar a salvação, mesmo sem o sacramento da penitência.
3. Demais. — Os sacramentos da Igreja começaram com a instituição de Cristo. Ora, como lemos no Evangelho, Cristo perdoou a mulher adúltera, sem penitência. Logo, parece não ser a penitência necessária à salvação.
Mas, em contrário, o Senhor disse: Se vós outros não fizerdes penitência, todos assim mes­mo haveis de acabar.
SOLUÇÃO. — De dois modos pode uma coisa ser necessária à salvação: absoluta e condicio­nalmente. Absolutamente é necessário à salva­ção aquilo sem o que ela não pode ser alcança­da; assim, a graça de Cristo e o sacramento do batismo pelo qual renascemos em Cristo. Con­dicionalmente é necessário o sacramento da penitência; não por certo a todos, mas aos que estão em pecado. Assim, diz a Escritura: E tu, Senhor Deus dos justos, não fizeste a penitência para os justos – Abraão, Isaac e Jacó, nem para os que te não ofenderam. – Ora, o pecado, quando tiver sido consumado, gera a morte, no dizer da Escritura. Logo, é necessário, para a sua salvação, que o pecador seja purificado do pecado. O que não pode ser sem o sacramento da penitência, no qual obra a virtude da paixão de Cristo pela absolvição do sacerdote simultâ­nea com a confissão do pecador, que coopera com a graça para delir o pecado, como o diz Agostinho: Quem te criou sem ti não te justificará sem ti. Por onde é claro que o sacra­mento da penitência é necessário à salvação, de­pois do pecado; assim como o remédio é neces­sário ao corpo de quem caiu em grave doença.
DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — ­A glosa citada deve ser entendida de quem tem uma boa vontade sem a interpolação causada pelo pecado; pois, essa nenhuma causa tem para tristezas. Mas, quando a boa vontade foi supri­mida pelo pecado, não pode ser restituída sem a tristeza, pela qual nos penitenciamos do pecado passado; o que constitui a matéria da penitência.
RESPOSTA À SEGUNDA. — Nem a fé, nem a ca­ridade nem a misericórdia podem, sem a peni­tência, tirar-nos do estado de pecado. Pois, ao seu lado, a caridade exige que nos arrependamos da ofensa cometida contra o amigo, e que em­preguemos estudo em nos reconciliarmos com ele. A fé, por outro lado, requere que, pela vir­tude da paixão de Cristo, que obra nos sacra­mentos da Igreja, nos justifiquemos dos nossos pecados. E por fim também a misericórdia orde­nada pede que reparemos pela penitência a nossa miséria, em que nos precipitou o pecado, segundo aquilo da Escritura: O pecado faz miseráveis os povos. Donde o outro dito da Escritura: Tem piedade com a tua alma, fazendo-te agradável a Deus.
RESPOSTA À TERCEIRA. — Pela excelência do poder, que só Cristo tinha como dissemos, é que concedeu à mulher adúltera o efeito do sacra­mento da penitência – a remissão dos pecados – sem esse sacramento; embora não sem a pe­nitência interior, que operou nela pela graça.

Fonte: Suma Teológica, questão 84, art 5.

A penitência é a segunda tábua, depois do naufrágio?

Parece que a penitência não é a segunda tábua, depois do naufrágio.

1. — Pois, àquilo de Isaias – Fizeram como os de Sodoma, pública ostentação do seu pecado, diz a Glosa: A segunda tábua, depois do nau­frágio, é esconder os pecados. Ora, a penitência não esconde os pecados; ao contrário, revela-os. Logo, a penitência não é a segunda tábua.

2. Demais. — O fundamento ocupa, no edifício, não o segundo, mas o primeiro lugar. Ora, a penitência é o fundamento do edifício espiri­tual, segundo aquilo do – Apóstolo: Não lançando de novo o fundamento da penitência das obras mortas. Por isso precede ao próprio batismo, conforme ainda aquilo da Escritura: Fazei penitência e cada um de vós sela batizado. Logo, a penitência não é a segunda tábua.

3. Demais. — Todos os sacramentos são umas tábuas, isto é, remédios contra o pecado. Ora, a penitência não ocupa o segundo lugar entre os sacramentos; mas antes, o quarto, como do sobredito se colhe. Logo, a penitência não deve ser considerada como a segunda tábua depois do naufrágio.

Mas, em contrário, Jerônimo diz, que a segunda tábua depois do naufrágio é a penitência.

SOLUÇÃO. — O essencial é naturalmente anterior ao acidental; assim, a substância é ante­rior ao acidente. Ora, certos sacramentos se ordenam à salvação do homem; tal o batismo, que um nascimento espiritual; a confirmação, crescimento espiritual; e a Eucaristia, nutrição espiritual. A penitência porém se ordena à nos­sa salvação acidental e condicionalmente, isto é, suposto o pecado. Pois, se atualmente não pe­cássemos, não precisaríamos da penitência; mas precisaríamos do batismo, da confirmação e da Eucaristia. Assim como para a vida do corpo não precisaríamos de remédios se não enfermás­semos; mas para vivermos é preciso, nascermos, crescermos e nutrirmo-nos. Por onde, a peni­tência ocupa o segundo lugar relativamente ao estado de integridade conferido e conservado pelos referidos sacramentos. Por isso dizemos metaforicamente que é a segunda tábua depois do naufrágio. Assim, O primeiro remédio para os que atravessamos os mares é nos conservamos num navio em bom estado; o segundo, se ele naufraga, apegar-mo-nos a uma tábua. Do mes­mo modo, o primeiro remédio no mar desta vida é conservarmos a nossa integridade; o segundo, recuperarmos essa integridade pela penitência, se a perdemos pelo pecado.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — ­De dois modos podemos esconder os pecados. ­Primeiro, quando os cometemos. Pois, é pior pe­car em público que às ocultas; quer porque o pecador público se considera como pecando com maior desprezo; quer também por pecar com escândalo dos outros. Por isso, aplica-se um re­médio aos pecados que cometemos às ocultas. E neste sentido diz a Glosa: A segunda tábua de­pois do naufrágio é esconder os pecados; não que assim fique o pecado delido, como o é pela penitência; mas pelo tornar menor. – De outro modo, podemos esconder o pecado anteriormente cometido por negligência na confissão; e isso encontra a penitência. E então esconder o pe­cado não é a segunda tábua, mas antes o contrário da tábua; pois, como diz a Escritura, aquele que esconde as suas maldades não será bem sucedido.

RESPOSTA À SEGUNDA. — A penitência não pode ser considerada o fundamento do edifício espiritual, absolutamente, falando, isto é, na pri­meira edificação; mas é o fundamento, na se­gunda reedificação, que se opera pela destruição do pecado. Pois, é ela que antes de tudo se impõe aos que voltam para Deus. Mas o Após­tolo, no lugar aduzido, fala do fundamento es­piritual da doutrina. – Quanto à penitência pre­cedente ao batismo, não é o sacramento da pe­nitência.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Os três sacramentos precedentes respeitam à nau íntegra, isto é, ao es­tado de integridade; em relação ao qual dizemos que a penitência é a segunda tábua.

Fonte: Suma Teológica, questão 84, art 6.

A confissão é necessária uma vez que estou arrependido?

Diz o Catecismo da Igreja Católica: “O sacramento da Penitência é constituído de três atos do penitente e da absolvição dada pelo sacerdote. Os atos do penitente são o arrependimento, a confissão ou manifestação dos pecados ao sacerdote, e o propósito de cumprir a penitência e as obras de reparação.”(CIC 1491)

Se Deus oferece ao cristão católico um caminho seguro, certo, infalível para o perdão dos pecados é lícito que se procure outros meios ou que se use aqueles disponíveis apenas pela metade?