Qual é o destino do espírito que é condenado ao inferno?

São Paulo afirma que o homem é formado por “corpo, alma e espírito”. É o Espírito que inclina o homem para Deus e, claro, diante da condenação final após a morte, ele terá que ser retirado. Quando o Espírito for arrancado do homem, no momento final, terá início a morte eterna. O que fazer, então, para evitar essa tragédia?

Fonte: padrepauloricardo.org

Os condenados podem arrepender-se do mal que fizeram?

O segundo discute-se assim. ─ Parece que os condenados nunca poderão arrepender-se do mal que fizeram.

1. ─ Pois, como diz Bernardo, o condenado sempre quer a iniquidade que cometeu. Logo, nunca se arrependerá do pecado cometido.

2. Demais. ─ Querer não ter pecado é ter uma vontade boa. Ora, os condenados não terão nunca boa vontade. Logo, não quererão nunca ter pecado. Donde a mesma conclusão que antes.

3. Demais. ─ Segundo Damasceno, o que foi para os homens a morte foi para os anjos a queda. Ora, a vontade do anjo depois da queda ficou de tal modo inconvertível, que nunca mais poderá voltar da eleição com que pecou. Logo, nem os condenados poderão arrepender-se dos pecados cometidos.

4. Demais. ─ Maior será a maldade dos condenados no inferno que a dos pecadores neste mundo. Ora, certos pecadores neste mundo não se arrependem dos pecados cometidos ─ ou por cegueira da mente, como os heréticos; ou por obstinação, como os que se alegram depois de terem feito o mal e triunfam de prazer nas piores causas, no dizer da Escritura. Logo, também os condenados no inferno não se arrependerão dos pecados cometidos. Continuar lendo

Não é Deus excessivamente severo ao condenar o homem?

Por definição, o Inferno é um “estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados” (CIC 1033). Ora, a palavra auto-exclusão não deixa margem para qualquer dúvida: não é Deus quem condena o homem, mas o próprio homem. Mas, como isso ocorre? Para se compreender como o próprio homem pode renegar a comunhão com Deus é preciso entender que ele é totalmente, tragicamente livre. Tão livre que pode, no instante final, virar as costas para Deus.

Deus respeita a liberdade humana, como respeitou a liberdade dos anjos quando, liderados por Lúcifer disseram: “Não serviremos”. Tanto para eles quanto para os homens existe um caráter de irrevogabilidade nessa decisão, que é selada no momento último. Assim diz o Catecismo: “não existe arrependimento para eles (os anjos) depois da queda, como não existe para os homens após a morte” (392). Portanto, é o homem, no momento final, quem decide de que lado ficará e não Deus que o condena.

Enquanto o homem caminha sobre a Terra, tem todos os meios e as oportunidades para permanecer em comunhão com Deus. Ele próprio deixou um caminho seguro, claro, que são os Sacramentos, as Sagradas Escrituras, os Mandamentos e tantas outras vias. Deus oferece sua graça, sem amor abundantemente, demonstrando sim, o seu amor infinito. É o homem quem decide se aceita permanecer nesse amor e entrar em comunhão eterna com Ele ou se prefere permanecer com o coração endurecido, rejeitando por soberba e orgulho a mão estendida do Senhor.

Fonte: padrepauloricardo.org