O único mediador entre Deus e os homens

Jesus salvador

Que católico que nunca se deparou com essa frase de algum protestante: “Jesus é o único mediador entre Deus e os homens, não há outros mediadores!”?

Apesar de tantos autores em páginas católicas pela internet já estarem carecas de falar sobre isso, parece que mesmo assim os protestantes continuam a insistir nesta sandice de dizer que a Igreja católica seria mentirosa pregando que Jesus é o único mediador entre Deus e os homens e que mesmo pregando isso Ela ainda assim, ao mesmo tempo estaria pregando outros mediadores além de Jesus.

Neste post então, pretendo explicar de maneira mais clara a razão de Jesus ser o único mediador entre Deus e os homens, apesar de saber que mesmo assim ainda existirão protestantes, que farão força para tratar o que direi aqui, com o perdão das palavras, com alguma dislexia ou alguma espécie de retardamento voluntário que por orgulho, comodismo ou falta de virtude prefere não admitir que está amando a mentira, dizendo mentiras contra a Santa Igreja. Vamos ao texto:

“Deus  se fez homem para que o homem se fizesse Deus” (Sobre a encarnação do Verbo, 54).

Esta afirmação de Santo Atanásio de Alexandria, resume brevemente o ensinamento que está no Evangelho. Agora, vamos entender de uma maneira melhor isso, parte por parte:

A Igreja ensina que o homem, foi criado por Deus, óbvio. Mas muitas pessoas não se dão conta do que esta afirmação significa. Significa que a natureza humana é de criatura, ninguém nasce filho de Deus. Com pecado ou não, homem nenhum chegaria a ser filho de Deus, participar da natureza divina com Deus e em Deus. Participar da natureza dEle é só por Ele. Ninguém pode se apresentar como Deus.

No Éden, o homem pecou querendo ser como Deus, só que sem Deus. E não deu outra: o pecado e a morte entraram no mundo, em razão de uma benignidade de Deus, que permite que morramos para que temamos a morte eterna, que atinge o Diabo e os seus anjos. Mas mesmo assim, hipoteticamente, ainda que o homem nunca tivesse pecado, de nada adiantaria uma vida imortal aqui nesse mundo. A imortalidade não sana o coração humano, não é capaz de satisfazê-lo, e pelo contrário, uma vida imortal sem ser a vida que Deus reservou para nós, seria terrível, uma certa inquietação sem fim.

Vamos ao que aconteceu com o pecado:

Depois disseram: “Vamos, façamos para nós uma cidade e uma torre cujo cimo atinja os céus.Tornemos assim célebre o nosso nome, para que não sejamos dispersos pela face de toda a terra.”(Gênesis 11,4)

O homem, querendo atingir os céus, querendo se fazer Deus, sem Deus, acaba como que inevitavelmente morrendo através do pecado, errando o alvo ele acaba se estragando, dividindo-se contra si mesmo, não obedecendo e agindo conforme a vontade de Deus, que é indivisível. É como querer usar um objeto para um fim que ele não foi feito, como querer usar água como material combustível: não vai dar certo, em vez de queimar ela vai apagar o fogo, não é uma característica física ou química da água ser combustível, assim como o homem não foi feito para o pecado, fomos feitos para o céu e, querendo alcançar o céu sem a nossa “característica” que é ser barro modelado e capacitado por Deus, acabamos por chafurdar na lama.

A partir disso, vemos que não basta que o homem não peque ou que o homem seja imortal, se não houver a graça de Deus que nos criou e que tem o poder de nos fazer membros de sua natureza.

A participação da vida Eterna com Deus não é uma vida qualquer (bios). As Escrituras chamam a Vida Eterna de zoé, que significa:

2222 ζωη zoe
de 2198 ; TDNT – 2:832,290; n f
 1) vida
1a) o estado de alguém que está cheio de vitalidade ou é animado
1b) toda alma viva
2) vida
2a) da absoluta plenitude da vida, tanto em essência como eticamente, que pertence a Deus e, por meio dele, ao “logos” hipostático e a Cristo, em quem o “logos” assumiu a natureza humana
2b) vida real e genuína, vida ativa e vigorosa, devota a Deus, abençoada, em parte já aqui neste mundo para aqueles que colocam sua confiança em Cristo, e depois da ressurreição a ser consumada por novas bênçãos (entre elas, um corpo mais perfeito) que permanecerão para sempre. [1]
Vamos contrapor com bios:
979 βιος bios
palavra primária; TDNT – 2:832,290; n m
1) vida
1a) vida num sentido amplo
1a1) o período ou curso de vida
1b) aquilo pelo qual a vida é sustentada, recursos, riquezas, bens [1]

Com muita razão, entendemos então o que Santo Agostinho disse: “Todavia, o homem, partícula de tua criação, deseja louvar-te. Tu mesmo que incitas ao deleite no teu louvor, porque nos fizeste para ti, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar em ti descanso.” (Confissões, 1)

Como então é possível que o homem possa alcançar a sua vocação, que é ser participante da natureza divina?

Só é possível de um modo. Por meio de alguma pessoa que seja ao mesmo tempo Deus e homem, e esta pessoa é Cristo Jesus.

Na plenitude dos tempos Deus vem ao encontro dos homens, em Jesus, para que a humanidade frágil e limitada, pudesse ser assumida integralmente por Deus. Nos ensina o Concílio de Calcedônia que “existe uma união sem confusão e uma distinção sem separação das duas naturezas de Cristo” (Sessão V). Isso significa que a natureza humana em Jesus não está confundida, não se mistura, não se perde na natureza divina, e que também a natureza divina não está separada da natureza humana, que não é possível na pessoa do Verbo encarnado existir a natureza divina se a natureza humana não estiver unida a ela. É aqui que encontra sentido o famoso versículo tão citado por muitos protestantes, mas ao mesmo tão pouco compreendido pelos mesmos:

Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3,16)

 Se alguém se torna filho de Deus, só o é em Jesus Cristo. Só existe um Filho de Deus, que é Jesus. A minha filiação divina vem de Jesus, porque fui “incorporado a Cristo” (Hebreus 3,14). É nEle que alguém se torna filho de Deus. O que é a conversão? É exatamente isso, como ensina-nos São Paulo, é uma mudança de sujeito: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.” (Gálatas 2,20). É através de Jesus Cristo que o homem, não tem mais natureza de criatura, mas ganha a natureza divina, é através de Jesus que nós somos feitos um, em Deus, através dEle que entre nós e Deus existe uma união sem confusão com o Pai, que somos “feitos Deus” como disse Santo Atanásio.

Agora, nem com todos os homens de toda a terra orando sem cessar, seria possível satisfazer a justiça divina, como eu expliquei acima. Nem com penitências, nem com mortificações, nem com toda a benignidade, pedidos e orações de todos os homens, seria possível fazer a justiça. Porque a justiça vem de Deus, e somos justificados por Deus, em Jesus.

Pergunto aos protestantes, que sentido tem vocês afirmarem que a intercessão dos santos, que pedir a intercessão deles, é o mesmo colocá-los no lugar de Jesus? Pedir a intercessão de outro que não é Jesus é colocar esse outro no lugar de Deus? É idolatrar? Então são idólatras as pessoas que pedem oração para os outros? Por que só dizem que só é idolatria se for com os que já dormiram no Senhor e pedir oração para quem está vivo não é? Como pode isso? Só mesmo através de muita desonestidade intelectual! Desde sempre a Igreja ensina e explica a razão de Jesus ser o único mediador entre Deus e os homens, e vocês ainda vem com estas acusações mentirosas de que temos outros mediadores em vez de Jesus? A Igreja é clara. Só não vê quem não quer, pois, existe uma grande diferençaentre a mediação salvífica de Jesus e as demais mediações.

Oras, Deus não quer que sejamos intermediários para que o Evangelho seja anunciado? Deus não quis precisar que Maria fosse intermediária para a encarnação redentora de Nosso Senhor Jesus Cristo? Deus não quis usar de intermediários para que as Escrituras fossem escritas? O que Deus mais faz é usar de intermediários no plano da salvação. Não nos venham com sandices, querendo justificar este hábito sem sentido que muitos protestantes tem de negar só por negar a comunhão dos santos. E antes que algum protestante venha dizer que não nega a comunhão dos santos, eu digo: ah é mesmo? Então você crê que exista a comunhão de todos os santos, da Igreja militante e triunfante? Como então você nega a comunhão intercessora dos membros do Corpo de Cristo que vivos ou mortos se esforçam por agradar a Deus (I Cor 5,9), que deseja que cada um interceda por todos (I Tm 2,1)?

SANTO AGOSTINHO, De Trin. 1, 4, 7
«esta é a minha fé, porque esta é a fé católica»

Para a maior Glória de Deus,
Lucas Henrique

Referência:

[1]: http://pt.scribd.com/doc/24842475/Dicionario-Biblico-Strong-Hebraicoaramaicogrego-James-Strong

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Deus proibiu a fabricação de imagens?

Uma das “grandes armas”  que o protestantismo pensa ter para atacar a Igreja Católica são as imagens. Em qualquer conversa com protestantes a respeito de religião, seja qual assunto for, ele sempre tende que pender para as imagens da Igreja Católica. Quando isso acontece os protestantes sempre aparecem com a famosa passagem da suposta proibição de imagens do livro de Êxodo, ela é:

Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.(Ex 20, 4)

 Bem, essa parece ser uma proibição absoluta tanto da fabricação quanto da adoração de imagens. Qualquer um que ler a primeira vista vai tirar esta conclusão. Porém a bíblia não deve ser interpretada em versículos isolados nem em traduções tendenciosas, nem tudo que parece ser, é realmente.

Se virarmos algumas páginas depois de Êxodo 20, em Êxodo 25, veremos Deus ordenando Moisés fabricar imagens: Continuar lendo

A procura da vida interior

A visão imediata de Deus ultrapassa as forças naturais de toda e qualquer inteligência criada, angélica ou humana. Uma inteligência criada pode, em sua atividade natural, conhecer a Deus pelo reflexo de suas perfeições na ordem criada, mas não pode vê-lo diretamente em Si mesmo como Ele se vê1.

O anjo e a alma humana só se tornam capazes de um conhecimento sobrenatural de Deus e de um amor sobrenatural por Ele se tiverem recebido este enxerto divino que é a graça habitual ou santificante, participação da natureza divina ou da vida íntima de Deus. Só essa graça, recebida na essência de nossa alma como um dom gratuito, pode torná-la radicalmente capaz de operações propriamente divinas, isto é, de ver a Deus diretamente como Ele se vê e de O amar como Ele se ama.

Em outros termos, a deificação da inteligência, e a da vontade, supõe uma deificação da própria alma (em sua essência), donde derivam essas faculdades.

Essa graça, quando está consumada e inamissível, se chama a glória, e dela procedem, na inteligência dos bem-aventurados do céu, a luz sobrenatural que lhes dá a força de ver a Deus, e, na vontade, a caridade infusa que lhes fez amá-Lo, sem que possam daí em diante desviar-se d’Ele.
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As orações que os santos fazem por nós a Deus são sempre ouvidas?

O terceiro discute-se assim. ─ Parece que as orações, que os santos fazem a Deus, por nós nem sempre são ouvidas.

1. ─ Pois, se fossem sempre ouvidas, sê-lo-iam sobretudo quando as fazem em seu próprio favor. Ora, tal não se dá, e por isso refere a Escritura que aos mártires, pedindo vingança, dos habitantes da terra, foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo até que se completasse o número dos seus conservas. Logo e com maior razão, as orações dos santos nem sempre são ouvidas quando pedem pelos outros.

2. Demais. ─ A Escritura diz: Ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, não está a minha alma com este povo. Logo, os santos nem sempre são ouvidos quando pedem por nós a Deus.

3. Demais. ─ Os santos, na pátria, serão como os anjos de Deus, na frase do Evangelho. Ora, os anjos nem sempre são ouvidos nas suas orações a Deus. O que se conclui do seguinte lugar da Escritura: Eu vim por teus rogos; e o príncipe do reino dos Persas me resistiu por vinte e um dias. Ora, o anjo que falava não viria em auxílio de Daniel, senão depois de ter pedido a Deus a sua libertação. Contudo, a sua oração não foi ouvida. Logo, nem os outros santos são sempre ouvidos quando pedem a Deus por nós.

4. Demais. ─ Quem na sua oração pede alguma cousa de certo modo a merece. Ora, os santos na pátria não estão em estado de merecer. Logo, não podem por suas orações pedir nada a Deus por nós.

5. Demais. ─ Os santos conformam em tudo a sua vontade com a de Deus. Logo, não querem senão o que sabem que Deus quer. Ora, ninguém pede senão o que quer. Portanto, não pedem os santos senão o que sabem que Deus quer. Ora, a vontade de Deus se cumpre mesmo que eles não lh’o pedissem. Logo, as orações dos santos não são eficazes para obter nada.

6. Demais. ─ As orações de toda a corte celeste, se pudessem obter algo de Deus, seriam mais eficazes que todas as orações da Igreja terrestre. Ora, seria totalmente liberada das penas do purgatório a alma pela qual a Igreja fizesse reiteradas orações. Logo, como os santos, na pátria, oram pelas almas do purgatório, pela mesma razão por que oram por nós, se tiverem ouvidas as orações que fazem por nós, se tiverem pelas orações deles as almas do purgatório ficariam totalmente liberadas das suas penas. O que é falso, porque então os sufrágios da Igreja pelos defuntos seriam supérfluos. Continuar lendo

Devemos invocar os santos para orarem por nós?

O segundo discute-se assim. ─ Parece que não devemos invocar os santos para orarem por nós.

1. ─ Pois, não invocamos os amigos de outrem a pedirem por nós, senão por pensarmos que eles tem junto dessa pessoa o poder de alcançar mais facilmente a graça almejada. Ora, Deus é infinitamente mais misericordioso que qualquer santo; e assim a sua vontade com maior facilidade se inclina a nos ouvir, que a vontade de qualquer santo. Logo, parece supérfluo constituirmos os santos em mediadores entre nós e Deus, para intercederem por nós.

2. Demais. ─ Se devemos invocá-las para orarem por nós, tal não serão senão por sabermos que a sua oração é aceita de Deus. Ora, o mais santo dos santos terá a sua oração mais aceita de Deus, que todos os outros. Logo, deveríamos sempre constituir os santos superiores, e nunca os menores, nossos intercessores perante Deus.

3. Demais. ─ Cristo, mesmo como homem, é chamado o Santo dos Santos; e a ele devemos orar como homem. Ora, nunca invocamos a Cristo para orar por nós. Logo, também não devemos invocar os outros santos.

4. Demais. ─ Quem intercede por outrem, apresenta as orações do seu protegido aquele junto de quem intercede. Ora, é inútil fazer representação a quem tudo é presente. Logo, é inútil constituirmos os santos nossos intercessores perante Deus.

5. Demais. ─ Aquilo é supérfluo que, feito em vista de um fim, este independentemente disso se realizaria ou não. Ora, quer lhes oremos quer não, os santos rezarão ou não por nós. Pois, sendo dignos de orarem por nós, por nós rezarão mesmo sem lh’o pedirmos; sendo, ao contrário, indignos, não rezarão, ainda que lh’o peçamos. Logo, é absolutamente supérfluo invocá-las para orarem por nós. Continuar lendo