Salmo 129: Das profundezas clamo a ti

PAPA BENTO XVI

AUDIÊNCIA GERAL

Quarta-feira, 19 de Outubro de 2005

Salmo 129: Das profundezas clamo a ti

1. Foi proclamado um dos Salmos mais célebres e amados pela tradição cristã: o De profundis, assim chamado devido ao seu início na versão latina. Com o Miserere, ele tornou-se um dos Salmos penitenciais preferidos na devoção popular.

Além da sua aplicação fúnebre, o texto é antes de tudo um cântico à misericórdia divina e à reconciliação entre o pecador e o Senhor, um Deus justo e sempre pronto a revelar-se “misericordioso e clemente, vagaroso na ira, cheio de bondade e fidelidade, que mantém a sua graça até à milésima geração, que perdoa a iniquidade, a rebeldia e o pecado” (Êx 34, 6-7). Precisamente por este motivo o nosso Salmo encontra-se inserido na liturgia vespertina do Natal e de toda a oitava do Natal, assim como na do IV domingo de Páscoa e da solenidade da Anunciação do Senhor. Continuar lendo

Salmo 121: Saudação à Cidade santa de Jerusalém

PAPA BENTO XVI

AUDIÊNCIA GERAL
Quarta-feira, 12 de Outubro de 2005

Salmo 121: Saudação à Cidade santa de Jerusalém

1. É um dos mais bonitos e apaixonantes Cânticos graduais o que agora ouvimos e apreciamos em oração. Trata-se do Salmo 121, uma celebração viva e partícipe em Jerusalém, a cidade santa para a qual se dirigem os peregrinos.

De facto, logo na abertura, fundem-se juntamente os dois momentos vividos pelo fiel: o do dia em que aceitou o convite a ir “para a casa do Senhor” (v. 1) e o da chegada jubilosa às “portas” de Jerusalém (cf. v. 2); agora os pés pisam finalmente aquela terra santa e amada. Precisamente, então, os lábios se abrem a um cântico de festa em honra de Sião, considerada no seu profundo significado espiritual. Continuar lendo

Salmo 126: Toda fadiga é vã sem o Senhor

PAPA BENTO XVI

AUDIÊNCIA GERAL

Quarta-feira, 31 de Agosto de 2005

Toda a fadiga é vã sem o Senhor

Queridos Irmãos e Irmãs!

1. O Salmo 126, agora proclamado, apresenta diante dos nossos olhos um espectáculo em movimento: uma casa em construção, a cidade com os seus guardas, a vida das famílias, as vigílias nocturnas, o trabalho quotidiano, os pequenos e os grandes segredos da existência. Mas acima de tudo eleva-se uma presença decisiva, a do Senhor que paira sobre as obras do homem, como sugere o início incisivo do Salmo: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os construtores” (v. 1).

Sem dúvida, uma sociedade sólida nasce do compromisso de todos os seus membros, mas precisa da bênção e do amparo daquele Deus que, infelizmente, muitas vezes é excluído ou ignorado. O Livro dos Provérbios realça a primazia da acção divina para o bem-estar de uma comunidade e fá-lo de maneira radical afirmando que “a bênção do Senhor é que enriquece, o nosso esforço nada lhe acrescenta” (Pr 10, 22). Continuar lendo

Salmo 134, 1-12: Louvai o Senhor que faz maravilhas

PAPA BENTO XVI

AUDIÊNCIA GERAL

Quarta-feira, 28 de Setembro de 2005

Salmo 134, 1-12: Louvai o Senhor que faz maravilhas

1. Apresenta-se agora diante de nós a primeira parte do Salmo 134, um hino de índole litúrgica, composto de alusões, reminiscências  e  referências  de  outros textos bíblicos. A liturgia, de facto, elabora com frequência os seus textos bíblicos haurindo do grande património da Bíblia um rico repertório de temas e orações, que sustentam o caminho dos fiéis.

Sigamos a elaboração orante desta primeira parte (cf. Sl 134, 1-12), que se abre com um amplo e apaixonado convite a louvar o Senhor (cf. vv. 1-3). O apelo dirige-se aos “servos do Senhor, que estão no templo do Senhor, nos átrios da casa do nosso Deus” (cf. vv. 1-2).

Portanto, estamos perante uma atmosfera viva do culto que se faz no templo, o lugar privilegiado e comunitário da oração. Ali experimenta-se de maneira eficaz a presença do “nosso Deus”, um Deus “bom” e “amável”,  o  Deus  da  eleição e da aliança (cf. vv. 3-4).

Depois do convite ao louvor, eis que uma voz solista proclama a profissão de fé, que tem início com uma fórmula “Eu sei” (v. 5). Este Creio constituirá a substância de todo o hino, que se revela uma proclamação da grandeza do Senhor (ibidem), manifestada nas suas obras maravilhosas. Continuar lendo