Refutando Heresia Cristológica da Assembléia de Deus Kaloré

Onde se encontra a mentira:

http://assembleiadedeuskalore.blogspot.com.br/2010/10/por-que-o-senhor-jesus-e-o-deus-homem.html

Nesse artigo refutarei a heresia Cristológica da igreja “Assembleia de Deus Kaloré”, ramificação da “Assembléia de Deus”, onde, o autor do texto afirma que Jesus não é 100% homem.

O nome do embuste é: “Por que o Senhor Jesus é o Deus-Homem, mas não é 100% homem?”

Vamos à refutação. Os textos do site herético estão em vermelho, enquanto minha refutação estará em azul.

Proporei, a partir de agora, algumas perguntas aos leitores, a fim de instigá-los a buscar na própria Bíblia as respostas sobre a doutrina do Deus-Homem, que, em Teologia Sistemática, é estudada na matéria Cristologia.
Jesus é 100% Deus? Sim, pois a Bíblia afirma que Ele é o Deus Todo-poderoso (Ap 1.8).

O autor do artigo dá ares de teólogo, começando a citar ramos da teologia, para tentar prestigiar seu trabalho. A princípio, a única afirmação do rapaz é verdadeira, porque sim, Jesus é 100% Deus.

Ele sempre foi Deus? Sim (Jo 1.1; Hb 1.8).

Correto.

E, quando andou na terra, foi 100% Deus? Quando Jesus se encarnou, não teve por usurpação ser igual a Deus, isto é, não quis usar 100% de sua deidade (Fp 2.6-8; Jo 17.4,5). Em outras palavras, Ele abriu mão, voluntária e temporariamente, de parte de seus atributos incomunicáveis, como onipresença e onipotência (Mt 28.18; 2 Co 8.9).

Abrir mão de parte dos atributos não significa deixar de ser Deus? Não. Como Deus que existe por si mesmo, o Senhor, pelo seu próprio poder, abriu mão de parte de seus atributos para realizar a obra expiatória.

Correto. A  palavra grega usada em Filipenses é kenosen, que quer dizer esvaziar-se. Jesus, sendo Deus, não se apega ao ser igual a Deus, visto ser esse o pecado de Adão.

É bíblica e exegeticamente plausível a ideia de que o Senhor se fez como Adão em seu estado original, antes do pecado? Não. Por quê? Porque Adão, antes e depois da Queda, sempre foi um ser criado por Deus. E o Senhor Jesus é o Deus encarnado, que se fez semelhante aos homens, a fim de morrer por eles na cruz.

O autor do texto começa a confundir as coisas aqui, pois, se fazer como Adão não é se fazer criatura, mas assumir a mesma natureza. Explica-nos São Pedro Crisólogo, em seu sermão 117, 1-2: “São Paulo ensina-nos que dois homens estão na origem do gênero humano: Adão e Cristo… “O primeiro Adão”, diz ele, “foi criado como um ser humano que recebeu a vida; o segundo é um ser espiritual que dá a vida.” O primeiro foi criado pelo segundo, de quem recebeu a alma que o faz viver… O segundo Adão estabeleceu sua imagem no primeiro Adão quando o modelou. E assim se revestiu da natureza deste último e dele recebeu o nome, a fim de não deixar perder aquilo que havia feito à sua imagem. Primeiro Adão, segundo Adão: o primeiro começou, o segundo não acabará. Pois o segundo é verdadeiramente o primeiro, como ele mesma disse: “Eu sou o Primeiro e o último“”.

Também é improcedente a ideia de que Ele se fez 100% homem como nós? Sim, haja vista nós termos herdado o pecado original (Rm 5.12). E Ele, segundo as Escrituras, é o Deus-Homem, o verdadeiro Deus, o Todo-poderoso, que se encarnou, fazendo-se semelhante aos homens. E, como Homem perfeito (muito superior a Adão), o Segundo Adão, viveu sem pecado (Hb 4.15), morreu por nossos pecados (1 Pe 1.18,19), ressuscitou para a nossa justificação (Rm 4.25), ascendeu ao céu (At 1.1-11) e voltará para buscar um povo seu, especial, zeloso de boas obras (Tt 2.11-14).

Aqui está o centro de sua heresia. Em outras palavras o autor, diz que o modelo de ser humano é o primeiro Adão já de natureza decaída, enquanto que Cristo não seria tão humano assim (numa espécie de Apolinarismo [1]), e que para ser homem verdadeiro teria que ter pecado, um erro, uma vez que a natureza humana não foi criada em vista do pecado, mas em vista da glória dos céus. Como eu disse acima, Jesus, sendo Deus, não se apega ao ser igual a Deus, visto ser esse o pecado de Adão. Adão vê o fruto proibido e se apega, quer o fruto. A palavra agora para Adão é harpagmos, que significa cobiça, ganância de se apegar a algo ou a alguém. Jesus não tem essa atitude, pois sendo Deus se fez homem para nos ensinar a sermos homens, para revelar ao homem a verdade sobre ele mesmo, sua vocação, que é ser participante da natureza divina (II Pd 1,4).

Jesus não é 100% homem? Não. Ele se fez semelhanteaos homens (Fp 2.6-8; Rm 8.3), participou das mesmas coisas que eles (Hb 2.14), exceto do pecado (Hb 4.12). O Senhor, aliás, jamais pecou sequer por pensamentos, o que seria impossível evitar se Ele tivesse se tornado 100% homem. O Senhor, na terra, foi o Cordeiro imaculado eincontaminado (1 Pe 1.18,19).

Novamente ele parte do pressuposto de que, para ser homem, Jesus teria que ter pecado, o que já foi refutado acima. A palavra usada para “semelhante” em Fp 2,7 “ομοιωματι”, tem como raiz “ομοιοω” e significa “ser feito como”[2]. Jesus é como os homens.

Mas, Ele não é verdadeiramente homem? Sim, pois há somente um Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, Homem (1 Tm 2.5).

Sim, Jesus é verdadeiramente homem.

Há diferença entre ser verdadeiramente Homem e ser 100% homem? Sim, e muita, pois o Senhor não é homem como Adão antes da Queda nem como nós hoje, como vimos. Ele se fez semelhante aos homens. E Adão, mesmo antes de pecar, era terreno. O Senhor Jesus é do céu: “O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu” (1 Co 15.47).

De novo, ele faz confusão. Jesus assume completamente a natureza humana, Ele assume 100% a natureza humana, pois, como dizem os santos padres: o que não foi assumido, não foi redimido[3]­­. O ser homem de Cristo não é nem deveria ser pecador e/ou criatura, não é esse o ser humano como Deus sonhou. Jesus é o modelo de homem perfeito. A resposta que damos ao autor do artigo é aquela resposta que Pilatos faz a Jesus: “Que é a verdade?”[4]. Lembrem-se: Jesus depois de flagelado, coroado de espinhos, vestido por um manto de burla apresenta-se. Pilatos então diz:  “Ecce homo”[5], “eis aí o homem verdadeiro, eis ao o homem como ele deve ser”.

Como, pois, definir a Humanidade de Cristo, teologicamente? A sua encarnação, como eu já disse, é um mistério (1 Tm 3.16). À luz da Bíblia, o Senhor é verdadeiramente Deus (1 Jo 5.20) e verdadeiramente Deus encarnado (Jo 1.14). Enfim, Ele é verdadeiramente o Deus-Homem. Ponto.

A humanidade de Cristo é definida em sua pessoa. Não é possível separá-la de sua divindade. Como diz o Concílio[6], que na pessoa de Cristo existe uma união sem confusão e uma distinção sem separação da humanidade com a divindade. O Magnum Mysterium!

Ad maiorem Dei gloriam,

Lucas Henrique.

 


[1] Apolinarismo: A heresia do apolinarismo foi fundada por Apolinário de Laodicéia (310-390 d.C.) e dizia que o espírito de Jesus fora substituído pelo Logos, ou seja, Apolinário negava que Jesus era humano. Jesus tinha como que “emprestado” um corpo.

[2] Tradução da Exaustiva Concordância do Novo Testamento Strong.

[3] São Gregório Nazianzeno Ep, 101, 87 PG 37,181

[4] Jo 18,38 – Bíblia da CNBB

[5] Jo 19,5 – Bíblia da CNBB

[6] Concílio de Calcedônia

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