A Bíblia não é -A- Palavra de Deus

O título desta matéria pode soar um tanto quanto estranho mas, como veremos a seguir, para o escândalo e horror protestante, trata-se da mais pura realidade.

O escrito presente é feito visando esclarecer os leitores católicos, que frequentemente acabam escutando um “slogan” da CNBB que diz que a Bíblia é o livro do catequista (o livro do catequista é o catecismo, pois a bíblia é uma faca de dois gumes(*)) ou em músicas que dizem que a Bíblia é A Palavra de Deus. Muitas vezes esses ‘chavões’ não são devidamente explicados, e acabam por dar margem aos católicos mais desavisados, a inconscientemente terem como critério a heresia protestante do Sola Scriptura (Só as Escrituras).

Com esta matéria pretendo demonstrar que não somente a Bíblia não é -A- Palavra de Deus, mas também demonstrar através de quem A Palavra de Deus age.

Como pudemos ver no título, destaquei o artigo definido no singular “A”, propositalmente porque ele é a chave de interpretação daquela afirmação. Vamos agora à explicação:

As Escrituras nos dão ‘dois’ sentidos a ‘Palavra de Deus’, vejamos seus significados:

“Palavra” na Sagrada Escritura quase sempre se refere à proclamação oral de um profeta ou apóstolo. Os profetas falam a Palavra de Deus, sendo ou não esse discurso registrado sob forma escrita. Por exemplo, lemos em Jeremias 25, 3. 7-8:

3 …eis que vinte e três anos são decorridos desde que a palavra do Senhor me foi dirigida e que vo-la transmiti com assiduidade…
7 Mas não me escutastes – oráculo do Senhor…
8 Por isso, assim disse o Senhor dos exércitos: porque não me escutastes as palavras…

Esta foi uma palavra de Deus tenha sido ela escrita ou não ou posteriormente declarada como Escritura Sagrada. Ela possui a mesma autoridade em forma escrita ou em forma proclamada. Da mesma forma isto é verdade para a pregação apostólica. Quando as frases “Palavra de Deus” ou “Palavra do Senhor” aparecem em Atos ou nas Epístolas, quase sempre se referem à pregação oral, e não à uma Escritura. Por exemplo:

1 Tes 2,13: Por isso é que também nós não cessamos de dar graças a Deus, porque recebestes a palavra de Deus, que de nós ouvistes, e a acolhestes, não como palavra de homens, mas como aquilo que realmente é, como palavra de Deus…

Se compararmos esta passagem com outra, escrita à mesma igreja, Paulo parece relacionar tradição e Palavra de Deus como sendo sinônimos:

2 Tes 3,6: …eviteis a convivência de todo irmão que leve vida ociosa e contrária à tradição que de nós tendes recebido.

Muito Bem! Falamos de Tradição como sendo ‘palavra de Deus’, mas para quem não têm muita idéia do que consista a Tradição, vamos dar uma breve pincelada:

Poderíamos dizer que a ‘Palavra de Deus’ escrita é as Sagradas Escrituras, enquanto a ‘Palavra de Deus’ vivida é a Tradição. A Tradição precede as Escrituras, porque de fato a vivência precede a escrita, primeiro vivemos as coisas para depois dar nome a elas. Primeiro houve a experiência dos apóstolos, dos primeiros cristãos, que mergulharam na realidade da Igreja, ou seja, no mundo que é pertencer a Cristo, ou ainda, pertencer ao Corpo de Cristo, depois houve certo relato desta vivência.

Até aqui vimos um dos dois ‘sentidos’ que a “palavra de Deus” possui: este é o sentido dela poder ser transmitida através de métodos(como podem ser transmitidas através de outros): pelas Sagradas Escrituras, e pela Tradição. Mas ainda isto ainda não se resume À Palavra de Deus, ambas as formas citadas anteriormente são somente formas de entrar em contado com A Palavra de Deus, apesar de ser chamados de ‘Palavra de Deus’, não o são em seu sentido pleno e total, por se tratarem de métodos (diga-se de passagem que não são métodos concorrentes, e sim inseparáveis e complementares) de se chegar a Ela.

Agora vamos ao outro ‘sentido’ que é o ponto principal do conteúdo do título desta matéria: O que é afinal –A- Palavra de Deus, integralmente? Bom, não podemos responder à esta pergunta porque a pergunta correta é: “QUEM é -A- Palavra de Deus?”. A Palavra de Deus não é um objeto, mas sim um sujeito, Jesus Cristo.

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus.” (São João 1,1)

Vemos que Jesus é o Verbo de Deus, que Jesus é a Palavra de Deus! E não somente o Cristo-Cabeça, mas o Cristo TOTAL, incluindo-se então a Igreja, que é corpo do Cristo, que permanece carne em seus membros.

A partir disso, vemos o porquê de Paulo afirmar que a Igreja é coluna e sustentáculo da verdade (I Tm 3,15), pois a Igreja é Corpo de Cristo, Ele que é o caminho, a verdade e a vida. Podemos concluir não somente isto, mas que é a Igreja quem possui total autoridade sobre as Escrituras, uma vez que Ela precede as escrituras tanto do antigo como do novo testamento, pois, ao contrário dos judeus, ela enxergou Jesus nas páginas do antigo testamento, e vivenciou isto(Tradição), para depois escrever o novo testamento. Vemos que não é possível interpretar o método(Bíblia) de se chegar À Palavra de Deus (Jesus), se não for pelo princípio hermenêutico de que um livro não está no próprio livro, mas o antecede, ou seja, a bíblia foi escrita por católicos e para os católicos. O sujeito (Igreja) influencia o texto e o texto influencia o sujeito. No caso das Sagradas Escrituras, lembremos que o sujeito é coletivo, o sujeito é a Igreja. A Igreja é o sujeito coletivo que lê as Escrituras, não eu, o indivíduo isolado (como os protestantes pretendem). É preciso portanto entrar nesse corpo vivo que é a Igreja para poder ler as Sagradas Escrituras (que fazem parte do método de se achegar À Palavra de Deus(Jesus)). É por isso que lemos: “Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano.” (São Mateus 18,17), textificando a autoridade da Igreja(Igreja ‘total’ com Escrituras, Magistério e Tradição), como uma guardiã do acesso À Cristo (Palavra de Deus), uma vez que a Igreja como Magistério não está acima da Palavra de Deus, mas a serviço dela, não ensinando senão o que foi transmitido pela Revelação, no sentido que por mandato divino, com a assistência do Espírito Santo, piamente sonda aquela palavra e fielmente a expõe, e deste único depósito de fé tira o que nos propõe para ser crido como divinamente revelado e, os fiéis, lembrando-se das palavras de Cristo a seus apóstolos “Quem vos ouve a mim ouve”(Lc 10,16), recebem com docilidade os ensinamentos e as diretrizes que seus pastores (Magistério) lhes dão sob diferentes formas.

Pelo que foi exposto aqui, aprendemos que Jesus é -A- Palavra de Deus, que permanece conosco com nossa mãe e guia que é a Santa Igreja que é católica, apostólica com sua Sé em Roma, “cátedra de Pedro, Igreja principal de onde se origina toda unidade sacerdotal (Cipriano, +258, Sobre a Unidade da Igreja cap. 4).

Ad maiorem Dei gloriam,

Lucas Henrique.

(*) digo faca de dois gumes pelo seguinte: Ário, Nestório, Donato, Marcião, Montano, Pelágio, Teodório de Bizâncio, entre outros, utilizavam as escrituras também, mas foram todos hereges.

Referências:

Anúncios

2 pensamentos sobre “A Bíblia não é -A- Palavra de Deus

  1. A BIBLIA É A PALAVRA DE DEUS SIM MEU IRMÃO. UMA VEZ QUE A BIBLIA FOI INSPIRADA POR DEUS AOS PROFETAS, ENTENDEMOS QUE ELA NOS FALA HOJE, COMO SE DEUS FALASSE ELE MESMO ÀS NOSSAS VIDAS. DECERTO, CRISTO JESUS É A PALAVRA DE DEUS, COMO VOCE MENCIONOU. PORÉM, A PALAVRA VIVA, QUE OPERA NA VIDA DO CRENTE, NOS É REVELADA PELO ESPIRITO SANTO. A BIBLIA SEM A REVELAÇÃO DO ESPIRITO É APENAS UM LIVRO; MAS O ESPIRITO NOS REVELA OS MISTERIOS DE DEUS E NOS FAZ ENTENDER QUE A PALAVRA (O VERBO DE DEUS) ATUA EM NOSSO MEIO COMO O PROPRIO SENHOR JESUS.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s