A Tibieza

A Tibieza
Seus Sinais, Consequências, Remédios
Mons. Ascânio Brandão
Livro de 1948 – 48 págs
DUAS PALAVRAS

 Ao anunciar a ruína do templo e os últimos dias do mundo, Nosso Senhor predisse: E porque abundou a iniquidade se há de resfriar a caridade de muitos. Quoniam abundavit iniquitas refrigescet caritas multorum. (Mt 24, 12).
 Parecemos chegados a estes dias sombrios. Resfria-se a caridade, o fervor de tantas almas, enquanto a iniquidade cresce assustadoramente. A tibieza é o grande flagelo. É o espinho mais doloroso do Coração de Jesus. Sobretudo a tibieza das almas consagradas a Deus, das almas outrora fiéis à graça.
  Não se presta bastante atenção à tibieza, esta mediocridade perigosa e funesta na vida espiritual. Daí tanta falsa piedade e esta ausência do verdadeiro espírito evangélico, do sentido cristão na vida de muitos devotos e devotas. O espírito de sacrifício, o senso da responsabilidade, a seriedade, a tremenda seriedade da vida cristã de que fala Bossuet, tudo isto anda aí tão esquecido, tão mal compreendido. Só almas fervorosas poderão salvar este mundo paganizado. Almas de elite. Almas de neve e corações de fogo no dizer do Pe. Mateo. Mas elas são tão raras, tão rarns, meu Deus!
     “A alma caída em tibieza não pensa em se corrigir de suas faltas: e estas se multiplicando a tornam de tal sorte insensível aos remorsos, que um dia chega onde se acha perdida, sem que sequer o tenha percebido!” 
Santo Afonso Maria de Ligório
A Verdadeira Esposa de Jesus Cristo)




QUE É A TIBIEZA?

 A tibieza é uma doença espiritual e das mais graves e perigosas. É o verme roedor da piedade. Micróbio terrível! Mina o organismo espiritual, sem que o enfermo o perceba. Enfraquece a pobre alma. Amortece as energias da vontade. Inspira horror ao esforço. Afrouxa a vida crista. Espécie de languor ou torpor, diz Tanquerey, que não é ainda a morte, mas que a ela conduz sem se dar por isso, enfraquecendo gradualmente as nossas forças morais. Pode-se compará-la a estas doenças que definham, como a tísica, e consomem pouco a pouco algum dos órgãos vitais. É uma sonolência, um sistema de acomodações na vida espiritual.
  O tíbio não quer lutar. Tem horror ao combate da vida cristã. Não compreende a palavra de Nosso Senhor no Evangelho: Eu não vim trazer a paz, mas a guerra!
  Guerra ao pecado, guerra às paixões, guerra à indiferença.
  Quem não é por mim, é contra mim!
 O tíbio não compreende este radicalismo sublime do Evangelho e da cruz.
  Numa palavra o define bem o Espírito Santo: é morno. Nem frio, nem quente.
  Nem o ardor da caridade, o fogo do amor, nem o gelo da descrença e da impiedade e da morte da alma.
  A tibieza é uma inércia espiritual. Um estado lamentável da alma.

É a mediocridade que se contenta com não ofender a Deus pelo pecado mortal, mas não quer evitar o pecado leve, fugir do relaxamento na vida espiritual[…]

 

Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te. (Apocalipse 3, 15-16)

Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas (São Mateus 3,3)

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