O sacramento da confirmação – IV

Pe. Henrique Soares da Costa

Com este artigo vamos concluir nossa apresentação do sacramento da Confirmação. Depois das três exposições anteriores, podemos, como síntese conclusiva, apresentar as seguintes afirmações:

(1) O sacramento da Confirmação é de instituição divina, enquanto sinal eficaz do dom do Espírito, prometido no Antigo Testamento e doado por Cristo na sua ressurreição. Este Espírito, Cristo o concedeu à sua Igreja e ordenou-lhe comunicar a todos os que nele cresses. Assim, o Santo Espírito é força que transforma aqueles que pelo Batismo foram lavados e renovados em Cristo Jesus, o Ungido (= Cristo, Messias) por excelência. O Cristo, pleno do Espírito, derramou seu Santo Espírito, dando início, com a sua morte e ressurreição, ao tempo da Igreja, que é tempo do Espírito Santo – é o Espírito quem sustenta, orienta e motiva a Igreja na sua missão de testemunhar o Senhor Jesus diante do mundo. Se no Batismo recebemos o Santo Espírito como vida de Deus que nos vem pelo Senhor Jesus, é pela Confirmação que este Espírito nos é dado como força de Deus para que assumamos na Igreja e com a Igreja nosso papel de testemunhas de Cristo! Por isso mesmo a Confirmação é o sacramento da maturidade cristã, já que nos faz participantes da missão de Igreja como testemunha e anunciadora do Cristo!

(2) Neste sentido, podemos e devemos dizer que a Confirmação aperfeiçoa (leva a uma nova maturidade e plenitude) a graça batismal, já que a vida recebida no Batismo transforma-se aqui em força que nos faz ocupar nosso lugar na comunidade eclesial e no empenha como cristãos diante do mundo. Daqui a afirmação do Concílio Vaticano II: “Pelo sacramento da Confirmação vinculam-se mais perfeitamente à Igreja e recebem especial vigor do Espírito Santo: ficam assim mais seriamente comprometidos como testemunhas verdadeiras de Cristo a difundir e defender a fé, por palavras e por obras” (LG 11).

(3) É errado pensar que a Confirmação é necessária porque fomos batizados ainda crianças e, portanto, é necessário confirmar conscientemente o nosso Batismo. É importante recordar que na Igreja antiga (e ainda hoje nas Igrejas Orientais) a Confirmação é dada à criança logo após o Batismos e juntamente com a Comunhão. Assim, a criancinha, apesar de psicológica e humanamente imatura, é já maturada do ponto de vista da ontologia da graça, isto é, de sua estrutura espiritual. Além do mais, quando a Igreja batiza adultos, os confirma imediatamente após o Batismo, na mesma celebração. A Confirmação é necessária porque nos dá o Espírito de força para ocupar efetivamente nosso lugar na Igreja. Deste modo, ninguém deveria receber um ministério, uma tarefa na Comunidade antes de ser crismado! Rigorosamente, para ser catequista, leitor, acólito, evangelizador, para casar-se (belo serviço de testemunho do amor entre Cristo e a Igreja) e até para receber a Eucaristia deveria ser exigido o sacramento da Confirmação. Como os leitores podem observar, aqui há muito que pensar sobe nossa prática pastoral!

(4) O rito essencial deste sacramento é a unção com o óleo do Crisma, consagrado pelo Bispo na Missa do Crisma da Quinta-feira Santa, simbolizando o dom do Espírito Santo, e a imposição das mãos, que ainda que não sendo o gesto mais importante, é extremamente significativo e, por isso mesmo, sumamente recomendável: os cristãos nela reconhecem, desde os Atos dos Apóstolos, um sinal do dom do Espírito Santo.

(5) O ministro originário da Confirmação é o Bispo. E isto tem um sentido profundo: se o Confirmado recebe a força do Espírito para assumir seu ministério na Comunidade, é extremamente significativo a presença do Bispo, Pai e Pastor da Comunidade eclesial. O encontro pessoal do que vai ser crismado com o Bispo coloca em evidência e sublinha o compromisso pessoal do confirmado, dentro da comunidade eclesial concreta, representada pela pessoa do Sucessor dos Apóstolos. Neste sentido o Bispo deve ter o máximo cuidado de estar pessoalmente presente para administrar este sacramento, somente em último caso delegando a um sacerdote esta missão, originariamente episcopal. Caso contrário corre-se o sério risco de um esvaziamento do sentido do sacramento. Não esqueçamos que a Igreja latina separou a administração da Confirmação da administração do Batismo exatamente para que o Bispo pessoalmente pudesse confirmar!

(6) Um problema seríssimo, e que ainda não está resolvido satisfatoriamente, é a ordem na qual os sacramentos devem ser administrados. Não é nada boa a ordem atual: Batismo-Eucaristia-Confirmação. A ordem tradicional e que melhor exprime o sentido dos três sacramentos é Batismo-Confirmação-Eucaristia. Com isso, aparece clara a ligação entre Batismo e Confirmação e também o fato de a Eucaristia ser a plenitude a vida do discípulo de Cristo e o cume da iniciação cristã. Não tem muito sentido receber a Eucaristia, plenitude da vida cristã e da união com o Senhor Jesus e, somente depois, receber a Crisma. É a Eucaristia, sacramento do Corpo de Cristo, quem nos dá a força para atuar no Corpo de Cristo que é a Igreja. Quem não tem seu lugar no Corpo de Cristo não pode comungar no Corpo de Cristo! Ora, para isso, é necessário estar crismado com a força do Espírito Santo! Esperamos que a Igreja encontre o quanto antes uma melhor ordenação pastoral para estes três importantíssimos sacramentos da iniciação cristã.

(7) É dever de todo cristão receber o sacramento da Confirmação; sem este sacramento não se chega à maturidade cristã. Por isso mesmo, tanto os pastores da Igreja como também os pais e padrinhos de batismo têm o dever de conscientizar os cristãos ainda não crismados da necessidade de receber este sacramento o mais breve possível. No Ocidente antigo assim que o Bispo visitava uma comunidade, procurava crismar as crianças ainda não crismadas. Hoje, a Igreja recomenda que tão logo o cristão chegue à idade de uma certa maturidade, seja crismado.

Fonte: http://www.domhenrique.com.br/index.php/sacramentos/confirmacao/173-o-sacramento-da-confirmacao-iv

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