Daniel capítulo II

O sonho de Nabucodonosor.

Naquele tempo, o rei da Babilônia teve um sonho profético que muito lhe incomodou, após a frustrada tentativa de receber a interpretação desse sonho pelos seus adivinhos e magos, foi lhe apresentado Daniel, o jovem Hebreus de muita sabedoria, no qual toda a corte dizia ter a sabedoria dos deuses; Daniel por sua vez, na tentativa de salva a sua vida e de seus 3 amigos, implorou a Deus que lhe desse a revelação e pudesse interpretar o sonho de Nabucodonosor:

“18. Pediu-lhes para implorarem a misericórdia do Deus dos céus a respeito desse enigma, a fim de que não matassem Daniel e seus companheiros com o resto de Babilônia. 19. O mistério foi então revelado a Daniel numa visão noturna. Pelo que, bendizendo o Deus dos céus” (Daniel capítulo 2)

Infelizmente, é comum se deparar com erros escatológicos em cima das profecias de Daniel, principalmente no meio protestante, onde seus teólogos querem fazer uma revelação em cima do que o próprio profeta revelou. Observem que a revelação profética era para acontecimentos futuros, o que gera uma inconstância nas interpretações protestantes, pois tais teólogos, pela falta de espiritualidade e a escassez de estudos históricos, não conseguem determinar a exatidão do tempo futuro revelados por Daniel, ou seja, não sabe qual é o futuro que ele se referia. Então nascem as heresias.

Observe como Daniel revela profecias futuras para depois do reino de Nabucodonosor, seria total incoerência levar tais revelações para o nosso presente.

“26. O rei dirigiu a palavra a Daniel (que tinha o cognome de Baltazar): És realmente capaz, disse-lhe, de desvendar-me o sonho que tive e fornecer-me a interpretação? 27. O mistério cuja revelação o rei pede, respondeu Daniel ao rei, nem os sábios, nem os mágicos, nem os feiticeiros, nem os astrólogos são capazes de revelar-lhos. 28. Mas no céu existe um Deus que desvenda os mistérios, o qual quis revelar ao rei  Nabucodonosor o que deve suceder no decorrer dos tempos. Eis, portanto, teu sonho e as visões que se apresentaram a teu espírito quando estavas em teu leito. 29. Senhor, os pensamentos que vieram ao teu espírito, enquanto estavas em teu leito, são previsões do futuroaquele que revela os mistérios mostrou-te o futuro. 30. Quanto a mim, se esse mistério me foi desvendado, não é que haja mais sabedoria em mim do que nos outros homens, mas para eu dar ao rei a interpretação, a fim de que se faça luz nos pensamentos do teu coração” (Daniel capítulo 2)

Esse foi o sonho de Nabucodonosor:

”31. Senhor: contemplavas, e eis que uma grande, uma enorme estátua erguia-se diante de ti; era de um magnífico esplendor, mas de aspecto aterrador. 32. Sua cabeça era de fino ouroseu peito e braços de prataseu ventre e quadris de bronze, 33. suas pernas de ferro, seus pés metade de ferro e metade de barro. 34. Contemplavas (essa estátua) quando uma pedra se descolou da montanha, sem intervenção de mão algumaveio bater nos pés, que eram de ferro e barro, e os triturou. 35. Então o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro foram com a mesma pancada reduzidos a migalhas, e, como a palha que voa da eira durante o verão, foram levados pelo vento sem deixar traço algum, enquanto que a pedra que havia batido na estátua tornou-se uma alta montanha, ocupando toda a região”  (Daniel capítulo 2)

No sonho, Nabucodonosor contemplava uma estátua que possuía algumas características, tais características, correspondiam as características dos reinos posteriores ao de Nabucodonosor, o grande mistério está no último enigma, onde uma pedra se deslocando para cima da estátua, se tornaria maior do que a própria estátua.

Bem, nesse sonho profético, foram revelados cinco reinos segundo suas características metafóricas, os reinos eram:

1º) Um reino com cabeça de ouro.

2º) Um reino com o peitoral e os braços de prata.

3º) Um reino com ventre e quadris de bronze.

4º) Um reino com pernas de ferro e pés metade de ferro e metade de barro.

5º) Um reino simbolizado por uma pedra, sem intervenção humana essa pedra se tornaria maior que a própria estátua.

Assim começa a revelação do sonho:

”36. Eis o sonho. Agora vamos dar ao rei a interpretação. 37. Senhor: tu que és o rei dos reis, a quem o Deus dos céus deu realeza, poder, força e glória; 38. a quem ele deu o domínio, onde quer que habitem, sobre os homens, os animais terrestres e os pássaros do céu, tu és a cabeça de ouro (Daniel capítulo 2)

Segundo o profeta Daniel, Nabucodonosor (império babilônico) era a cabeça de ouro da estátua, ele seria o primeiro reino.

“39. Depois de ti surgirá um outro reino menor que o teu, depois um terceiro reino, o de bronze, que dominará toda a terra” (Daniel capítulo 2)

Observem agora que Daniel profetiza o aparecimento de dois reinos posteriores ao de Nabucodonosor; o primeiro era um reino menor que o de Nabucodonosor e o outro seria um reino maior do que o de Nabucodonosor. Existe uma questão histórica e Bíblica nessa revelação, após a queda do império babilônico, a caldeia ficou sobre o domínio do império dos Medos, ou seja, era um reino menor do que o de Nabucodonosor.

No próprio livro de Daniel, ele confirma esse fato histórico:

“1. Dario, o medo, recebeu a realeza mais ou menos com a idade de sessenta e dois anos”(Daniel capítulo 6)

Voltando a profecia, Daniel revela que após o aparecimento desse reino menor, viria um reino maior do que o de Nabucodonosor, esse reino, era o reino Persa onde Ciro o Grande unificou o império Medos com o império Persa, dando início a um dos maiores impérios existentes na história das antiguidades.

Outro fato histórico confirmado no próprio livro de Daniel:

“1. No terceiro ano de Ciro, rei da Pérsia, um oráculo foi revelado a Daniel (cognominado Baltazar). Esse oráculo era verídico e anunciava grandes lutas. Daniel compreendeu o oráculo e teve conhecimento do sentido da visão” (Daniel capítulo 10)

Assim se concretiza os dois primeiros reinos pós-império babilônico; então entra o quarto reino; segundo o profeta Daniel, esse reino seria de Ferro e Barro.

“40. Um quarto reino será forte como o ferro: do mesmo modo que o ferro esmaga etritura tudo, da mesma maneira ele esmagará e pulverizará todos os outros. 41. Os pés e os dedos, parte de terra argilosa de modelar, parte de ferro, indicam que esse reino será dividido: haverá nele algo da solidez do ferro, já que viste ferro misturado ao barro. 42. Mas os dedos, metade de ferro e metade de barro, mostram que esse reino será ao esmo tempo sólido e frágil. 43. Se viste o ferro misturado ao barro, é que as duas partes se aliarão por casamentos, sem porém se fundirem inteiramente, tal como o ferro que não se amalgama com o barro” (Daniel capítulo 10)

A explicação do profeta Daniel foi:

O simbolismo do ferro era um reino que dominaria todos os outros reinos (inclusive o império Medos e Persas), ou seja, seria um GRANDE reino, depois esse reino seria dividido, os pés indicavam isso, o ferro e o barro juntos simbolizava que esse reino seria SÓLIDO e FRÁGIL ao mesmo tempo, sendo assim, ele conquistaria os outros reino, mas logo acabaria, sendo divido em vários outros reinos.

Essas profecias se cumpriam durante o reinado de Alexandre Magno, filho de Felipe da Macedônia; seu império se tornou o maior de toda a história das antiguidades, seu nome ficou conhecido por todo mundo e registrado na história, temido por seus adversários, tratou de helenizar os reinos por ele conquistados, mas aos (33) anos de idade morreu com uma grande enfermidade (sua saúde era frágil), seu reino foi dividido entre parentes e generais. Todos esses fatos foram narrados nos livros dos Macabeus.

Fatos narrados nos livros dos Macabeus:

“1. Ora, aconteceu que, já senhor da Grécia, Alexandre, filho de Filipe da Macedônia, oriundo da terra de Cetim, derrotou também Dariorei dos persas e dos medos e reinou em seu lugar. 2. Empreendeu inúmeras guerras, apoderou-se de muitas cidades e matou muitos reis. 3. Avançou até os confins da terra e apoderou-se das riquezas de vários povos, e diante dele silenciou a terra. Tornando-se altivo, seu coração ensoberbeceu-se. 4. Reuniu um imenso exército, 5. impôs seu poderio aos países, às nações e reis, e todos se tornaram seus tributários. 6. Enfim, adoeceu e viu que a morte se aproximava. 7. Convocou então os mais considerados dentre os seus cortesãos, companheiros desde sua juventude, e, ainda em vida, repartiu entre eles o império. 8. Alexandre havia reinado doze anos ao morrer. 9. Seus familiares receberam cada qual seu próprio reino” (I Macabeus capítulo 1)

Segundo o historiador Judeu Flávio Joséfo, o reino de Alexandre Magno fora justamente dividido em quatro outros Reinos.

Alexandre, o Grande, morreu, depois de vencer os persas e tratar Jerusalém do modo como falamos. Seu império foi dividido entre os chefes de seu exércitoAntígono recebeu a ÁsiaSeleuco, a Babilônia e as nações vizinhasLisímaco, o Helesponto;Cassandro, a Macedônia e Tolomeu, filho de Lago, o Egito.Houve divergências entre eles com relação ao governo, as quais causaram sangrentas e longas guerras, desolação em várias cidades e a morte de um grande número de pessoas.” (Flavio Josefo História das antiguidades, Livro 12 capítulo 1)

Ásia e Babilônia formaram um só Reino após Seleuco vencer Antigono na famosa batalha de Issus (300 A.C), ou seja, o Reino Selêucidas. (do qual sairá Antioco Epifanes)

Lisímaco: Continua governando o ponto da Tracía, (Sudoeste da Europa, banhado pelo Mar Negro, Mar Mámara e Mar Egeu)

Cassandro: Governa a Macedônia e a Grécia.

Ptolomeu: Governa Egito, Fenícia e a Palestina.

Assim se formam os quatros grandes reinos profetizados por Daniel após a queda (Morte) de Alexandre Magno. Os reinos ficaram conhecidos como:

1º) Selêucidas.

2º) Lisímaco.

3º) Cassandro Macedônio. 

4º) Ptolomeu Egito.

Esse foi o quarto reino profetizado por Daniel, observem como tudo se cumpriu perfeitamente, nada faltou.

Bem, Daniel termina a revelação do quarto reino explicando que esse quarto reino seria dividido em vários outros reinos; no livro dos Macabeus é narrado que o império de Alexandre Magno foi dividido entre seus parentes e generais.

Por fim, a profecia avança no tempo, termina com o nascimento de Jesus Cristo e o Reino Messiânico.

“44. No tempo desses reis, o Deus dos céus suscitará um reino que jamais será destruído e cuja soberania jamais passará a outro povo: destruirá e aniquilará todos os outros, enquanto que ele subsistirá eternamente. 45. Foi o que pudeste ver na pedra deslocando-se da montanha sem a intervenção de mão alguma, e reduzindo a migalhas o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro. Deus, que é grande, dá a conhecer ao rei a sucessão dos acontecimentos. O sonho é bem exato, e sua interpretação é digna de fé”(Daniel capítulo 2)

Observem que Daniel de uma forma oculta diz (no tempo desses reis), seguramente ele se referia ao império romano, pois o Messias nasce entre o Reinado de Otavio Augusto (primeiro imperador de Roma), dando início aos dez chifres e sete cabeças da (Besta) fera do Apocalipse, Otavio além de ser o primeiro imperador de Roma, foi o primeiro a usar o titulo de(Augusto), ou seja, deus entre os homens; o titulo Augusto se opõe ao Reino do Messiânico, pois só Jesus Cristo pode receber o titulo de Deus entre os homens.

Assim nasce o quinto Reino profetizado por Daniel, um Reino eterno, imbatível e indestrutível, exatamente no reinado dos imperadores romanos auto proclamados Augusto (deus entre os homens), sendo assim, o Reino Messiânico é simbolizado por uma Rocha que reduzia todos os outros reinos sem intervenção humana, pois Jesus Cristo é o Rei dos Reis, soberano sobre os reis da terra.

“5. e da parte de Jesus Cristo, testemunha fiel, primogênito dentre os mortos e soberano dos reis da terra. Àquele que nos ama, que nos lavou de nossos pecados no seu sangue”(Apocalipse capítulo 1)

“8. ao passo que do Filho diz: O teu trono, ó Deus, subsiste para a eternidade. O cetro do teu Reino é cetro de justiça” (Hebreus capítulo 1)

Assim eu termino a primeira parte das profecias de Daniel, como vimos tais profecias, terminam no nascimento de Jesus Cristo, ou seja, nada para o nosso tempo. Infelizmente alguns protestantes se perderam em espaço e tempo.

Autor: Cris Macabeus.

Referencias bibliográficas:

Bíblia versão dos Monges de Maredsous (Bélgica) editora Ave Maria.

Flavio Josefo livro História dos Hebreus.

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