Considerações sobre a Eucaristia

As Sagradas Escrituras nos oferecem uma clara e objetiva apresentação do Sacramento do Amor, a Eucaristia. Vejamos alguns pontos importantíssimos sobre esta realidade que está além da nossa capacidade de compreensão; e que protestantes muitas vezes negam e acabam por incorrer em heresia, exatamente pelo fato de tentar ‘domar’ em suas mentes ‘racionais’(mas, inclinadas para o pecado) esta realidade que transcende a capacidade de compreensão humana:

“Ele tomou o pão, abençoou, partiu e distribuiu-lhes, dizendo: ‘Tomai, isto é o meu corpo’. Depois, tomou um cálice e, dando graças, deu-lhes, e todos dele beberam. E disse-lhes: isto é o meu sangue, o sangue da Aliança, que é derramado em favor de muitos”. (Mc 14, 22-24)

“Então, Jesus lhes respondeu: ‘Em verdade, em verdade, vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha carne, e bebe o meu sangue tem a vida. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue é verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu nele.” (João 6, 53-56)

No “discurso eucarístico” que nos foi transmitido por São João, Jesus volta a afirmar que o pão será Sua Carne, o que escandalizou os judeus. Que fez, então Jesus? Reafirmou esta doutrina, usando do verbo grego troglô, cujo significado é mastigar, triturar com os dentes.

Por que Jesus agiria assim? Por que não desfez o mal-entendido que se acometeu entre os judeus (e que, inexoravelmente, acometer-se-ia entre nós, católicos)? Por que voltou a dizer: “minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue verdadeiramente uma bebida”, se, verdadeiramente, segundo os protestantes, nem Sua carne é comida nem Seu sangue é bebida? Se tudo não passa de uma figura de linguagem, porque insistir no “verdadeiramente”?

Simplesmente, portanto, não há qualquer base bíblica para a afirmação de que Jesus falava em modo figurado. Ao contrário, tudo o que se diz a respeito somente nos leva à conclusão de que Jesus quis, realmente, transubstanciar as espécies do pão e do vinho.

Já, com relação à frase “fazei isto em memória de mim”, os protestantes, geralmente, afirmam que Jesus simplesmente quis que Sua morte fosse lembrada. O Senhor teria querido que, nas celebrações dos cristãos, se evocasse a “memória” de Sua Paixão.

Também neste ponto, o texto e o contexto não favorecem a interpretação protestante. Jesus e os discípulos estão no meio de um Seder, de uma ceia Pascal judaica. Para os judeus, fazer memória significava ir muito além de simplesmente relembrar o fato. Fazer memória significa tornar o fato presente, participar de algo já acorrido como se estivesse ocorrendo naquele exato momento (cf. Ex 13, 8)

Igualmente, em grego existem duas palavras para memória: mneumo e anamnesys. Esta última foi a usada por Jesus, cujo significado é o mesmo dito acima: tornar presente algo ocorrido no passado.

Assim é, e assim sempre foi. Desde o primeiro século, os cristãos já viam a celebração eucarística como a renovação do sacrifício de Cristo, como podemos ver neste trecho da Didadaqué:

“Reuni-vos no dia do Senhor para a fração do pão e celebrai a eucaristia depois de haverdes confessado vossos pecados, para que vosso sacrifício seja puro.

Mas todo aquele que vive em discórdia com o outro, não se junte a vós antes de se ter reconciliado, a fim de que vosso sacrifício não seja profanado.

Com efeito, deste sacrifício disse o Senhor: em todo o lugar e em todo o tempo se me oferece um sacrifício puro, porque sou um grande rei – diz o Senhor – e o meu nome é admirável entre todos os povos [Cf Mal 1,11-14].

Outras partes da Sagrada Escritura, professam a Fé Eucarística:

 “A taça de benção que nós abençoamos, não é comunhão no sangue de Cristo? O pão que nós partimos, não é comunhão no corpo de Cristo? Porque há um único pão, nós somos muitos em um só corpo, porque nós todos participamos do único pão.” (1 Cor 10,16-17)

“Com efeito, eu mesmo recebi do Senhor o que vos transmiti: na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: ‘Isto é o meu corpo, que é para vós, fazei isto em memória de mim’. Do mesmo modo, após a ceia, tomou o cálice dizendo: ‘Este cálice é a Nova Aliança em Meu Sangue; todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em memória de mim.’ Todas as vezes, pois, que comeis deste pão e bebeis deste cálice, anunciais a morte do Senhor até que Ele venha. Eis porque aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e sangue do Senhor. Por conseguinte, que cada um examine a si mesmo antes de comer desse pão e beber desse cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o Corpo, come e bebe a própria condenação.” (1 Co 11, 23-28)

Fazemos novamente um paralelo com a Didaquè:

“Não deixes que ninguém coma ou beba da Eucaristia, mas apenas o batizado no nome do Senhor; para isto, também se aplica o dito pelo Senhor: ‘ não dê aos cães o que é sagrado'”.  (Didaquè Cap. 9,5)

“No dia próprio do Senhor, reúna-se em comum para partir o pão e oferecer ações de graças; mas primeiro confessa seus pecados, de modo que seu sacrifício possa ser puro. Entretanto, ninguém que discutiu com seu irmão pode participar do encontro,  até que estejam reconciliados; seu sacrifício não deve ser aceito. Para isto nós temos o dito do Senhor: ‘Em todo lugar e tempo oferece me um sacrifício puro; Eu sou um Rei poderoso, diz o Senhor; e meu Nome espalha terror dentre as nações.'”( Didaquè  Cap 14.)

Em resposta a objeções protestantes que porventura podem vir:

Os protestantes podem tentar citar João 6, 63 (O espírito é que vivifica, a carne de nada serve. As palavras que vos tenho dito são espírito e vida.) para tentar refutar a Eucaristia, mas S. Agostinho (†430), tão explorado pelos simbolistas, propõe de maneira admirável a exegese de Jo 6,63:

A carne para nada serve, se ela está só. Que o Espírito (= a Divindade) se junte a ela, como a caridade se pode juntar à ciência, e então ela servirá muito. Pois, se a carne para nada servisse o Verbo não se teria feito carne para habitar entre nós. Se Cristo muito nos valeu encarnando-se, como é que a carne para nada serve? Eis contudo que o Espírito se empenhou em nossa salvação mediante a carne. A carne foi o receptáculo: considera o que ela continha, não o que ela era… O Espírito é que vivifica, a carne para nada serve: minha carne, que dou a comer, não é a carne tal como eles a concebiam (=como carne de açougue)» (In Io tr. 27,5).

Santo Agostinho novamente diz sobre a Eucaristia:

“Você deve saber que você tem recebido, que você vai receber, e que você deve receber diariamente. Aquele Pão que você vê no altar, tendo sido santificado pela palavra de Deus, é o Corpo de Cristo. O cálice, ou melhor, que está naquele cálice, tendo sido santificado pela palavra de Deus, é o Sangue de Cristo.” – (Sermões [227, 21])

E finalizando, fazemos aqui uma breve e importante consideração:

Muitos dos seus discípulos, ouvindo-o, disseram: Isto é muito duro! Quem o pode admitir? Sabendo Jesus que os discípulos murmuravam por isso, perguntou-lhes: Isso vos escandaliza? Que será, quando virdes subir o Filho do Homem para onde ele estava antes?... O espírito é que vivifica, a carne de nada serve. As palavras que vos tenho dito são espírito e vida. Mas há alguns entre vós que não crêem Pois desde o princípio Jesus sabia quais eram os que não criam e quem o havia de trair. Ele prosseguiu: Por isso vos disse: Ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lho for concedido.Desde então, muitos dos seus discípulos se retiraram e já não andavam com ele. Então Jesus perguntou aos Doze: Quereis vós também retirar-vos? (São João 6, 60-67)

As palavras destacadas, são muito importantes pelo fato de que a reação de Jesus não foi a mesma reação que ele teve em outros momentos diante de dúvidas de seus discípulos. Que reação é esta? Como Jesus fazia diante de um pronunciamento de difícil compreensão? Jesus simplesmente explicava! Isso mesmo! Se você caro leitor der uma lida em cada discurso de Jesus, que tenha caráter de parábola ou metáfora, Jesus sempre explicava seu significado. Mas no discurso eucarístico Jesus não o faz! Exatamente pelo fato de que não existe metáfora, parábola ou comparação alguma no discurso eucarístico. Jesus falava com palavras literais (que claro, não deixam de ter seu sentido espiritual), Jesus disse com todas as letras e não voltou atrás para uma explicação, a reação de Jesus foi esta: “você acredita em minhas palavras ou não? A hora é agora, é pegar ou largar”, ficando mais claro ainda que a Fé da Igreja, dos Apóstolos e dos sucessores dos apóstolos sempre foi a mesma, fé esta que possui a Santa Igreja que é Católica, Apostólica e Romana!

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